terça-feira, 7 de outubro de 2008

Memórias: Carrinho de mão

Tirei essa foto e fiquei pensando nela por um tempo... Aí a imagem criou vida em mim. Quando era criança gostava muito de ser carregada nesse carrinho. Meu pai era mestre de obras, fazia o trabalho do engenheiro sem nunca ter tido o título. Eu deveria ter uns 5 anos de idade e me lembro de ser levada junto com minha irmã para o pátio de obras. Chegávamos bem cedinho, tudo escuro. Havia um barraco de madeira construído no início de uma enorme área aberta. Minha mãe servia café com leite e pão com manteiga para os empregados, enquanto dormíamos embaixo do balcão. Uma portinhola que abria e fechava, era mais alta que minha própria altura. O cheirinho do leite com café e pão, coisa de mineiro.
Meu pai assumira a construção,naquela época, de mil casas populares. Olhava pro alto e via movimento, tijolos, pessoas... Contando tudo isso me sinto lá.
Em nossa casa sempre tinha materiais de construção em uma garagem construída de madeira, que nem o barracão lá da obra. O carrinho de mão velho e amassado ficava lá. Algumas vezes me lembro do movimento do carrinho, da brincadeira de correr... mas quem empurrava o carrinho? Não me lembro. Quando nasceu meu irmão, me lembro dele gordinho e alguém empurrando. Será que era meu pai? Bem que poderia ser, porque lembrança de brincar, de rir, de amor... é a melhor lembrança do mundo.
Lembrança de saudade... essa só é boa quando se tem certeza da volta ao abraço, como vivo hoje pela ausência do filho que viaja, mas vai voltar.
Quando é lembrança de adeus ... não coisa boa não. Pra essa o remédio é lembrança do vento no rosto e o balanço do carrinho de mão... mesmo sem saber ao certo de quem deveras era a mão que conduzia o carrinho. Por certo eram mãos de amor....isso é o que importa!!!

3 comentários:

Peter Cacique disse...

nossa!
Mamae poeta...
tb lembro de quando construimos nossa casa no guarani. Os enormes buracos que aos poucos eram preenchidos por blocos, daqueles cheios de brita pequenininha. Lembro do pai e tio Marcondes andando de um lado pro outro, da vó Lairce servindo café e pao com manteiga tb... doriana, a melhor da época...
As lembrancas sempre sao muitas... aos poucos vao dando lugar a planos e projetos, mas sempre deve haver um lugarzinho pra elas... é o que nos faz ser mais humanos...
amo vc mae!
Bjokas

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Este comentário foi removido pelo autor.
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Amei este texto e a foto também!!!!
beijos!